Bicicletas: mania, esporte e necessidade
Eu tenho uma grande atração por bicicletas mas me contento em admirar os engenhos e sua evolução e gosto de ver os ciclistas pedalando. Minha bicicleta, no Brasil, não sai da garagem há uns cinco anos e no Japão, nem penso em comprar uma; não deixo de ter uma certa paixão por esse meio de transporte, esporte e lazer e por onde passo, fotografo bicicletas envolvidas com o ambiente.
Em Tóquio e nas grandes cidades japonesas a bicicleta é uma necessidade. Bem servidas pelas ferrovias e metrôs, as cidades e os grandes bairros tem sua vida girando em torno da estação ferroviária e é nessa região que costumam ficar os super-mercados, bancos e serviços públicos e, é claro, quem mora afastado da estação precisa se deslocar, o que muitas vezes é feito de bicicleta.
Idosos, jovens, crianças, executivos de gravata e mamães com crianças pequenas usam as bicicletas, inclusive as japonesas que trabalham em escritórios, com seus elegantes tailleurs, deslocam-se de bicicleta entre a casa e estação.
O número de bicicletas vendidas no Japão cresce a cada ano, estimando-se algo em torno de 7 milhões de novos veículos. O total de bicicletas em uso é de 86 milhões de unidades (dados de 2004), algo como duas para cada três habitantes. O equilíbrio entre novas bicicletas no mercado e as descartadas também é impressionante: algumas bicicletas são recolhidas pelas prefeituras, entregues pelos próprios usuários que não as querem mais ou recolhidas por estacionamento indevido. Algumas são recicladas e muitas são distribuídas para serviços sociais e de saúde em países de economia emergente, por ONGs japonesas que utilizam o espírito de solidariedade para distribuir as bicicletas, que em alguns países podem servir até como ambulâncias de duas rodas.
Em 1948, no Pós-Guerra, para incentivar a indústria de bicicletas o governo começou a promover corridas e este esporte chegou a ser o preferido dos japoneses nos anos 50, fazendo inclusive com que o primeiro esportista japonês a ganhar acima de 1 milhão de dólares tenha sido Nakano Kouichi, um ciclista profissional.
As ciclovias são uma necessidade, o espaço para bicicletas na faixa de pedestres também é reservado e uma certa etiqueta no trânsito deve ser observada: a um simples toque da campainha, nós pedestres sabemos que precisamos sair da frente.
Jitensha, o “carro que roda com o esforço do próprio condutor” é o nome da bicicleta em japonês. Em Tóquio existe até um “museu da bicicleta”, com a história da evolução e várias peças raras, algumas em madeira. O pavilhão das bicicletas fica no Museu de Ciências de Tóquio, no Parque Kitanomaru.
15 de Abril de 2007 @ 08:47
Oi Helio,
Qual o revestimento das ciclovias? A foto dá a impressão de um piso cerâmico…ou é paver? E as calçadas, quais os revestimentos mais utilizados?
Bjs
15 de Abril de 2007 @ 11:48
Bom, eu nao contei para a Denise ainda ou melhor contei meio por cima. Mas estava voltando de Piraquara (fui ver uns documentos da chacara) e no caminho de volta um pouco antes do terminal de Pinhais, fui atingido por um senhor que estava pedalando levando uma daquelas escadas de metal no ombro. Ele perdeu o equilibrio e bateu no carro com a escada, mas pelo que vi nao aconteceu nada no carro e nem com o senhor, so o susto que eu levei. Achei que tinha atropelado alguma coisa ou era alguma assalto. Bom, escrevi toda essa historia so para ressaltar a importancia das ciclovias, temos muitos ciclistas aqui tambem mas as pessoas nao respeitam as ruas e nem tomam os devidos cuidados.
Beijos
5 de Junho de 2009 @ 15:37
[…] Há um certo receio, desconforto e preconceito quanto ao uso de bicicleta para acessar o metro. Como morei no Japão, onde o uso de bicicletas é super comum e as linhas de ônibus para acessar trens e metrôs são raras (e usadas mais por idosos bem velhinhos e por pessoas com problemas de saúde, de tão incomuns), acostumei-me a usar a bicicleta no meu transporte diário. Até aprendi a ir de tailleur para o trabalho, com saia, meia-fina, salto, pasta, etc, equilibrando-me com elegância na magrela. E sinto a maior falta disso. […]