Renúncia e suicídio de ministros japoneses
Da mesma forma como acontece em todo o mundo desenvolvido, é comum surgir no Japão notícias de desmandos por parte de políticos e ocupantes de cargos públicos. Uma das principais diferenças é o desfecho das histórias denunciadas: no Japão normalmente o político não nega o que é aparente e assume o que fez, pedindo desculpas e renunciando em seguida, sem usar dó artifício de negar sempre e de lançar mão de advogados, liminares e mordaças na imprensa.
Um estudo interessante publicado pela revista semanal Metropolis, editada em inglês em Tóquio mostra que desde as últimas eleições gerais, em setembro de 2005, nada menos que 10 ministros pediram pra deixar o governo, inclusive um deles “solicitou a dispensa” suicidando-se.
Vamos à lista:
Genichiro Sata, ministro da Reforma Administrativa, denunciado por malversação de fundos públicos. Pediu demissão em 27 de dezembro de 2006;
Toshikatsu Matsuoka, ministro da Agricultura, Florestas e Pesca, suicidou-se em 20 de maio de 2007, não resistindo às denúncias por mau uso de recursos de seu gabinete;
Fumio Kyuma, ministro da Defesa, renunciou em 3 de julho de 2007 depois de dizer algumas bobagens sobre as bombas atômicas que caíram sobre o Japão na Segunda Guerra;
Norihiko Akagi, outro ministro da Agricultura, Florestas e Pesca sucumbiu a um escândalo contábil em sua pasta, renunciando em 01 de agosto de 2007;
Takehiko Endo, também ministro da Agricultura e outras coisas, permaneceu um mês no cargo e denunciado por uso ilegal de subsídios, renunciou em 3 de setembro de 2007;
Shinzo Abe, Primeiro-Ministro que substitui o ativo Koizumi, renunciou em 12 de setembro de 2007 por problemas de saúde, provavelmente agravados pela sua crescente impopularidade;
Yasuo Fukuda, Primeiro-Ministro, renunciou pouco menos de um ano após assumir o Governo por dificuldades políticas e impopularidade;
Seiichi Ota, mais um Ministro da Agricultura, pasta que tem se mostrado amarga nos últimos anos, renunciou a 19 de setembro de 2008 devido ao escândalo do arroz;
Nariaki Nakayama, Ministro da Infraestrutura, Transporte e Turismo renunciou em 28 de setembro de 2008 após repetidas gafes cometidas em discursos e entrevistas;
Shoichi Nakagawa, que foi Ministro das Finanças, protagonizou o célebre caso de aparentemente participar bêbado da conferência de imprensa na reunião do G7. Apesar de alegar por algumas horas ter ficado grogue por excesso de remédios, não suportou a pressão e renunciou em 17 de fevereiro de 2009.
A lista não deve parar por aqui até às próximas eleições gerais mas, se a moda pega, o tal do Gabinete Lula teria provavelmente trocas semanais devidas a dois fatores principais: o número de cargos e a quantidade de besteiras que continuam assolando o país.